Zumbido no ouvido tem cura em boa parte dos casos: quando a causa é cera, otite, uso de certos remédios ou um problema da articulação da mandíbula, tratar a causa faz o som desaparecer. Quando o zumbido vem de uma perda auditiva já instalada, a meta é o controle, e ele é possível: aparelhos auditivos, terapia sonora e acompanhamento reduzem o som a ponto de ele deixar de incomodar. O primeiro passo é descobrir de onde ele vem.
O que provoca o zumbido no ouvido?
Zumbido é a percepção de um som, como apito, chiado, cigarra ou pulsação, sem uma fonte externa. Ele não é uma doença, e sim um sintoma. A causa mais comum é a perda auditiva, mesmo que leve: quando o ouvido interno deixa de enviar algumas frequências ao cérebro, as áreas auditivas aumentam a própria atividade para compensar, e esse ruído interno é percebido como zumbido. Exposição a barulho, envelhecimento e algumas doenças do ouvido estão por trás da maioria dos casos.
Outras causas frequentes: rolha de cera, otite e líquido atrás do tímpano, otosclerose, doença de Ménière, uso de medicamentos ototóxicos como alguns antibióticos e anti-inflamatórios em dose alta, disfunção da articulação temporomandibular e tensão muscular do pescoço. O zumbido pulsátil, que bate no ritmo do coração, merece investigação própria, porque pode ter origem vascular.
Quando o zumbido tem cura
Sempre que existe uma causa reversível. Retirar a cera, tratar a otite, trocar o remédio, cuidar da mandíbula ou corrigir uma otosclerose com cirurgia costuma fazer o zumbido desaparecer por completo. O mesmo vale para o zumbido que acompanha a surdez súbita: tratada nas primeiras horas, a audição pode voltar e o zumbido ir junto.
Quando a meta é o controle
Quando o zumbido vem de uma perda auditiva neurossensorial definitiva, como a causada por ruído ou pela idade, não existe hoje um remédio que o apague. Mas controle não é resignação. O cérebro é capaz de deixar de prestar atenção em um som constante, um processo chamado habituação, e os tratamentos atuais aceleram esse processo:
- Aparelhos auditivos: ao devolver os sons que faltavam, reduzem o zumbido em grande parte das pessoas com perda auditiva.
- Terapia sonora: sons ambientes ou geradores de som evitam o silêncio total, que é quando o zumbido mais aparece.
- Orientação e terapia cognitivo-comportamental: diminuem a reação emocional ao zumbido, que é o que transforma um som em sofrimento.
- Tratamento do sono e da ansiedade: dormir mal e ansiedade aumentam a percepção do zumbido, e tratá-los melhora o quadro.
Suplementos como ginkgo biloba, zinco e vitaminas não mostraram benefício consistente nos estudos e não substituem a investigação da causa.
Como o otorrino investiga o zumbido
A consulta começa pela descrição do som: de que lado, se é contínuo ou pulsátil, quando começou, o que piora. Depois vem o exame do ouvido e os exames de audição. A audiometria mostra se existe perda auditiva e em quais frequências, o que explica a maioria dos zumbidos. A imitanciometria avalia o tímpano e a orelha média. As otoemissões acústicas e o BERA entram em casos selecionados, como zumbido em um só lado ou suspeita de alteração do nervo auditivo.
O que acontece se não tratar o zumbido?
O zumbido em si não causa surdez nem lesão. O problema de não investigar é deixar passar a causa: uma perda auditiva que progride, uma otite crônica, um remédio que continua agredindo o ouvido ou, raramente, um tumor do nervo auditivo que se apresenta como zumbido de um lado só. Além disso, quanto mais tempo o zumbido fica sem orientação, mais ele se associa a insônia, irritabilidade e ansiedade, e mais difícil fica a habituação.
Zumbido no ouvido e tontura juntos
Quando o zumbido vem com tontura, pressão no ouvido e audição que oscila, a suspeita principal é a doença de Ménière. Quando vem com vertigem intensa de início súbito, pode ser uma labirintite ou uma alteração vascular. Essa combinação sempre justifica avaliação em otoneurologia, a área que estuda a relação entre o ouvido, a audição e o equilíbrio.
É possível viver bem com zumbido?
Sim. A maioria das pessoas que passa pela avaliação, trata o que é tratável e segue as orientações chega a um ponto em que o zumbido deixa de ser notado no dia a dia. Ele pode continuar existindo em uma medição, mas não mais no centro da atenção. Esse é o resultado esperado de um tratamento bem conduzido.
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Ler artigoExames relacionados
Audiometria
Exame realizado no consultório, conforme a avaliação clínica.
Ver exameImitanciometria
Exame realizado no consultório, conforme a avaliação clínica.
Ver exameOtoemissões acústicas
Exame realizado no consultório, conforme a avaliação clínica.
Ver exameFontes
Cada caso precisa de avaliação individual. Na consulta, o Dr. Leonardo examina, ouve a sua história e explica o que faz sentido para você.
