Pular para o conteúdo

Blog · Audição

Zumbido no ouvido tem cura?

Por Dr. Leonardo Teodoro, otorrinolaringologista · CRM-DF 14713 · RQE 12847 · Publicado em 5 de novembro de 2026

Homem com a mão sobre a orelha, em fundo neutro · imagem ilustrativa

Zumbido no ouvido tem cura em boa parte dos casos: quando a causa é cera, otite, uso de certos remédios ou um problema da articulação da mandíbula, tratar a causa faz o som desaparecer. Quando o zumbido vem de uma perda auditiva já instalada, a meta é o controle, e ele é possível: aparelhos auditivos, terapia sonora e acompanhamento reduzem o som a ponto de ele deixar de incomodar. O primeiro passo é descobrir de onde ele vem.

O que provoca o zumbido no ouvido?

Zumbido é a percepção de um som, como apito, chiado, cigarra ou pulsação, sem uma fonte externa. Ele não é uma doença, e sim um sintoma. A causa mais comum é a perda auditiva, mesmo que leve: quando o ouvido interno deixa de enviar algumas frequências ao cérebro, as áreas auditivas aumentam a própria atividade para compensar, e esse ruído interno é percebido como zumbido. Exposição a barulho, envelhecimento e algumas doenças do ouvido estão por trás da maioria dos casos.

Outras causas frequentes: rolha de cera, otite e líquido atrás do tímpano, otosclerose, doença de Ménière, uso de medicamentos ototóxicos como alguns antibióticos e anti-inflamatórios em dose alta, disfunção da articulação temporomandibular e tensão muscular do pescoço. O zumbido pulsátil, que bate no ritmo do coração, merece investigação própria, porque pode ter origem vascular.

Quando o zumbido tem cura

Sempre que existe uma causa reversível. Retirar a cera, tratar a otite, trocar o remédio, cuidar da mandíbula ou corrigir uma otosclerose com cirurgia costuma fazer o zumbido desaparecer por completo. O mesmo vale para o zumbido que acompanha a surdez súbita: tratada nas primeiras horas, a audição pode voltar e o zumbido ir junto.

Quando a meta é o controle

Quando o zumbido vem de uma perda auditiva neurossensorial definitiva, como a causada por ruído ou pela idade, não existe hoje um remédio que o apague. Mas controle não é resignação. O cérebro é capaz de deixar de prestar atenção em um som constante, um processo chamado habituação, e os tratamentos atuais aceleram esse processo:

  • Aparelhos auditivos: ao devolver os sons que faltavam, reduzem o zumbido em grande parte das pessoas com perda auditiva.
  • Terapia sonora: sons ambientes ou geradores de som evitam o silêncio total, que é quando o zumbido mais aparece.
  • Orientação e terapia cognitivo-comportamental: diminuem a reação emocional ao zumbido, que é o que transforma um som em sofrimento.
  • Tratamento do sono e da ansiedade: dormir mal e ansiedade aumentam a percepção do zumbido, e tratá-los melhora o quadro.

Suplementos como ginkgo biloba, zinco e vitaminas não mostraram benefício consistente nos estudos e não substituem a investigação da causa.

Como o otorrino investiga o zumbido

A consulta começa pela descrição do som: de que lado, se é contínuo ou pulsátil, quando começou, o que piora. Depois vem o exame do ouvido e os exames de audição. A audiometria mostra se existe perda auditiva e em quais frequências, o que explica a maioria dos zumbidos. A imitanciometria avalia o tímpano e a orelha média. As otoemissões acústicas e o BERA entram em casos selecionados, como zumbido em um só lado ou suspeita de alteração do nervo auditivo.

O que acontece se não tratar o zumbido?

O zumbido em si não causa surdez nem lesão. O problema de não investigar é deixar passar a causa: uma perda auditiva que progride, uma otite crônica, um remédio que continua agredindo o ouvido ou, raramente, um tumor do nervo auditivo que se apresenta como zumbido de um lado só. Além disso, quanto mais tempo o zumbido fica sem orientação, mais ele se associa a insônia, irritabilidade e ansiedade, e mais difícil fica a habituação.

Zumbido no ouvido e tontura juntos

Quando o zumbido vem com tontura, pressão no ouvido e audição que oscila, a suspeita principal é a doença de Ménière. Quando vem com vertigem intensa de início súbito, pode ser uma labirintite ou uma alteração vascular. Essa combinação sempre justifica avaliação em otoneurologia, a área que estuda a relação entre o ouvido, a audição e o equilíbrio.

É possível viver bem com zumbido?

Sim. A maioria das pessoas que passa pela avaliação, trata o que é tratável e segue as orientações chega a um ponto em que o zumbido deixa de ser notado no dia a dia. Ele pode continuar existindo em uma medição, mas não mais no centro da atenção. Esse é o resultado esperado de um tratamento bem conduzido.

Leia também

Exames relacionados

Fontes

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.

Cada caso precisa de avaliação individual. Na consulta, o Dr. Leonardo examina, ouve a sua história e explica o que faz sentido para você.

Dúvidas frequentes

Ficou alguma dúvida?

Perguntas que chegam com frequência ao consultório.

Agendar consulta
Zumbido no ouvido pode ser emocional?

O estresse e a ansiedade não criam o zumbido, mas aumentam muito a percepção dele. Na maioria dos casos existe uma causa auditiva por trás, e por isso a avaliação do ouvido vem primeiro.

Zumbido no ouvido esquerdo ou direito tem significado diferente?

Para a medicina, o lado importa por outra razão: zumbido que fica só em um ouvido merece investigação mais cuidadosa, porque pode indicar uma alteração localizada naquele lado.

Zumbido do nada passa sozinho?

Um zumbido breve, de segundos, acontece com quase todo mundo e passa. O que fica por mais de alguns dias ou que se repete deve ser avaliado.

Qual exame detecta a causa do zumbido?

A audiometria é o principal. Conforme o caso, a imitanciometria, as otoemissões acústicas, o BERA e exames de imagem completam a investigação.

Existe remédio para zumbido no ouvido?

Não existe um remédio que apague o zumbido. Medicamentos ajudam quando tratam a causa ou quando melhoram o sono e a ansiedade que amplificam o sintoma.

Consulta com o Dr. Leonardo Teodoro

Vamos entender o que está acontecendo com você? Agende sua avaliação.

Atendimento para adultos e crianças no Centro Clínico Sudoeste, em Brasília. Consulta particular ou por convênio.

Agendar