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Blog · Audição

Surdez súbita: a urgência que não pode esperar

Por Dr. Leonardo Teodoro, otorrinolaringologista · CRM-DF 14713 · RQE 12847 · Publicado em 5 de novembro de 2026

Homem com a mão sobre um dos ouvidos, com expressão de preocupação · imagem ilustrativa

Surdez súbita é a perda de audição que acontece de uma vez ou em até 72 horas, quase sempre em um ouvido só, muitas vezes ao acordar. É uma urgência em otorrinolaringologia: quanto mais cedo começa o tratamento, em geral com corticoide, maior a chance de a audição voltar ao normal. Depois de duas a quatro semanas, a chance de recuperação cai muito. Se a audição caiu de repente, procure atendimento no mesmo dia.

Como reconhecer a surdez súbita

A pessoa percebe que um ouvido parou de ouvir, ou ouve abafado, de um momento para o outro. Em muitos casos a primeira impressão é de ouvido tampado, e a pessoa espera que a cera ou a gripe passe. Sinais que ajudam a diferenciar:

  • A queda da audição é de um lado só, em até três dias, sem dor e sem secreção.
  • Costuma vir com zumbido novo naquele ouvido.
  • Pode vir com sensação de pressão e, em parte dos casos, tontura.
  • Ao falar ao telefone, a diferença entre os dois ouvidos fica evidente.

A definição técnica é uma perda neurossensorial de pelo menos 30 decibéis em três frequências consecutivas, instalada em até 72 horas. Mas ninguém precisa medir isso em casa: audição que caiu de repente é motivo suficiente para avaliação imediata.

O que causa a surdez súbita?

Na maioria dos casos a causa exata não é encontrada, e o quadro é chamado de idiopático. As hipóteses mais aceitas são a infecção viral do ouvido interno, a alteração da circulação da cóclea e processos autoimunes. Em uma minoria, a investigação encontra uma causa específica: doença de Ménière, tumor do nervo auditivo, uso de medicamentos tóxicos para o ouvido, trauma ou doenças sistêmicas. É por isso que o tratamento começa antes mesmo de a investigação terminar.

Por que é urgência

As células do ouvido interno que sofreram a agressão têm uma janela de recuperação. Nas primeiras duas semanas, o tratamento com corticoide, por via oral ou por injeção dentro do ouvido, aumenta a chance de a audição voltar. Depois de quatro semanas, a perda tende a se tornar definitiva. Esperar para ver se melhora é o erro mais comum, e a surdez súbita é uma das poucas situações em otorrinolaringologia em que cada dia faz diferença.

Como o otorrino confirma

O primeiro passo é a otoscopia, para afastar cera, otite e líquido atrás do tímpano, que causam perda condutiva e têm outro tratamento. Em seguida, a audiometria, que confirma a perda, mostra o grau e define se é neurossensorial. A imitanciometria complementa a avaliação da orelha média. Nos dias seguintes, a ressonância magnética da via auditiva é solicitada para afastar o tumor do nervo auditivo, e exames de sangue conforme a suspeita. O BERA pode ser indicado para avaliar o nervo.

Qual é o tratamento da surdez súbita?

O tratamento de primeira linha é o corticoide, iniciado o quanto antes. Ele pode ser dado por via oral, por injeção intratimpânica, que é aplicada no consultório através do tímpano, ou pelas duas vias. Quando não há resposta ao tratamento inicial, a injeção intratimpânica funciona como terapia de resgate. A oxigenoterapia hiperbárica é uma opção complementar em centros que dispõem dela, dentro das primeiras semanas. Antivirais, vasodilatadores e vitaminas não mostraram benefício nos estudos.

A audição volta ao normal?

Uma parte das pessoas recupera a audição de forma espontânea nas primeiras semanas, e o tratamento aumenta essa proporção. A chance de recuperação é maior quando a perda é leve a moderada, quando o tratamento começa cedo, quando não há tontura associada e em pessoas mais jovens. Perdas profundas e tratadas tarde têm pior prognóstico. Quando a audição não volta por completo, o acompanhamento continua: aparelho auditivo, orientação para o zumbido e, nos casos de perda profunda de um lado, dispositivos específicos ajudam a recuperar a localização do som e a compreensão em ambientes com ruído.

O acompanhamento depois do tratamento

A audiometria é repetida ao longo das semanas para medir a resposta. Mesmo quando a audição volta, a investigação da causa deve ser concluída, porque a ressonância pode mostrar uma alteração que precisa de seguimento. Quem teve surdez súbita deve evitar ruído intenso, controlar pressão e diabetes e procurar avaliação imediata se perceber qualquer nova queda.

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Fontes

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.

Cada caso precisa de avaliação individual. Na consulta, o Dr. Leonardo examina, ouve a sua história e explica o que faz sentido para você.

Dúvidas frequentes

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Perguntas que chegam com frequência ao consultório.

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Surdez súbita volta ao normal?

Em boa parte dos casos a audição melhora, de forma espontânea ou com o tratamento. A chance é maior quando o corticoide começa nos primeiros dias e quando a perda é leve a moderada.

Quanto tempo tenho para tratar a surdez súbita?

O ideal é começar nas primeiras 72 horas. Até duas semanas ainda há boa chance de resposta. Depois de quatro semanas, a recuperação é bem menos provável.

Surdez súbita dói?

Não. A ausência de dor é um dos motivos de as pessoas demorarem a procurar atendimento, achando que é cera ou gripe.

Surdez súbita pode ser sinal de AVC?

Raramente. Quando a perda de audição vem com tontura intensa, visão dupla, fraqueza ou dificuldade para falar, a avaliação neurológica de emergência é necessária.

Qual médico procurar para surdez súbita?

O otorrinolaringologista. Se não houver consulta disponível no mesmo dia, o pronto-socorro pode iniciar a avaliação e o tratamento.

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