Surdez súbita é a perda de audição que acontece de uma vez ou em até 72 horas, quase sempre em um ouvido só, muitas vezes ao acordar. É uma urgência em otorrinolaringologia: quanto mais cedo começa o tratamento, em geral com corticoide, maior a chance de a audição voltar ao normal. Depois de duas a quatro semanas, a chance de recuperação cai muito. Se a audição caiu de repente, procure atendimento no mesmo dia.
Como reconhecer a surdez súbita
A pessoa percebe que um ouvido parou de ouvir, ou ouve abafado, de um momento para o outro. Em muitos casos a primeira impressão é de ouvido tampado, e a pessoa espera que a cera ou a gripe passe. Sinais que ajudam a diferenciar:
- A queda da audição é de um lado só, em até três dias, sem dor e sem secreção.
- Costuma vir com zumbido novo naquele ouvido.
- Pode vir com sensação de pressão e, em parte dos casos, tontura.
- Ao falar ao telefone, a diferença entre os dois ouvidos fica evidente.
A definição técnica é uma perda neurossensorial de pelo menos 30 decibéis em três frequências consecutivas, instalada em até 72 horas. Mas ninguém precisa medir isso em casa: audição que caiu de repente é motivo suficiente para avaliação imediata.
O que causa a surdez súbita?
Na maioria dos casos a causa exata não é encontrada, e o quadro é chamado de idiopático. As hipóteses mais aceitas são a infecção viral do ouvido interno, a alteração da circulação da cóclea e processos autoimunes. Em uma minoria, a investigação encontra uma causa específica: doença de Ménière, tumor do nervo auditivo, uso de medicamentos tóxicos para o ouvido, trauma ou doenças sistêmicas. É por isso que o tratamento começa antes mesmo de a investigação terminar.
Por que é urgência
As células do ouvido interno que sofreram a agressão têm uma janela de recuperação. Nas primeiras duas semanas, o tratamento com corticoide, por via oral ou por injeção dentro do ouvido, aumenta a chance de a audição voltar. Depois de quatro semanas, a perda tende a se tornar definitiva. Esperar para ver se melhora é o erro mais comum, e a surdez súbita é uma das poucas situações em otorrinolaringologia em que cada dia faz diferença.
Como o otorrino confirma
O primeiro passo é a otoscopia, para afastar cera, otite e líquido atrás do tímpano, que causam perda condutiva e têm outro tratamento. Em seguida, a audiometria, que confirma a perda, mostra o grau e define se é neurossensorial. A imitanciometria complementa a avaliação da orelha média. Nos dias seguintes, a ressonância magnética da via auditiva é solicitada para afastar o tumor do nervo auditivo, e exames de sangue conforme a suspeita. O BERA pode ser indicado para avaliar o nervo.
Qual é o tratamento da surdez súbita?
O tratamento de primeira linha é o corticoide, iniciado o quanto antes. Ele pode ser dado por via oral, por injeção intratimpânica, que é aplicada no consultório através do tímpano, ou pelas duas vias. Quando não há resposta ao tratamento inicial, a injeção intratimpânica funciona como terapia de resgate. A oxigenoterapia hiperbárica é uma opção complementar em centros que dispõem dela, dentro das primeiras semanas. Antivirais, vasodilatadores e vitaminas não mostraram benefício nos estudos.
A audição volta ao normal?
Uma parte das pessoas recupera a audição de forma espontânea nas primeiras semanas, e o tratamento aumenta essa proporção. A chance de recuperação é maior quando a perda é leve a moderada, quando o tratamento começa cedo, quando não há tontura associada e em pessoas mais jovens. Perdas profundas e tratadas tarde têm pior prognóstico. Quando a audição não volta por completo, o acompanhamento continua: aparelho auditivo, orientação para o zumbido e, nos casos de perda profunda de um lado, dispositivos específicos ajudam a recuperar a localização do som e a compreensão em ambientes com ruído.
O acompanhamento depois do tratamento
A audiometria é repetida ao longo das semanas para medir a resposta. Mesmo quando a audição volta, a investigação da causa deve ser concluída, porque a ressonância pode mostrar uma alteração que precisa de seguimento. Quem teve surdez súbita deve evitar ruído intenso, controlar pressão e diabetes e procurar avaliação imediata se perceber qualquer nova queda.
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Audiometria
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Ver exameImitanciometria
Exame realizado no consultório, conforme a avaliação clínica.
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Exame realizado no consultório, conforme a avaliação clínica.
Ver exameFontes
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