Tontura ao deitar, ao levantar da cama ou ao virar a cabeça no travesseiro, em crises curtas de segundos, é na maioria das vezes a vertigem posicional paroxística benigna, a VPPB. Ela acontece quando pequenos cristais de cálcio saem do lugar dentro do ouvido interno. Tem diagnóstico no consultório e tratamento com manobras, sem remédio e sem cirurgia.
Por que a tontura aparece justamente ao deitar ou levantar
Dentro do ouvido interno existe o labirinto, que informa ao cérebro a posição da cabeça. Uma parte dele, o utrículo, guarda cristais microscópicos de carbonato de cálcio, as otocônias. Quando alguns desses cristais se soltam e migram para os canais semicirculares, cada mudança de posição da cabeça faz os cristais deslizarem e mandarem um sinal falso de movimento. O cérebro recebe a informação de que tudo está girando, e é por isso que a tontura surge ao deitar, ao levantar, ao virar na cama ou ao olhar para cima.
Esse é o mecanismo da vertigem posicional paroxística benigna. Benigna porque não ameaça a vida, paroxística porque vem em crises, e posicional porque depende da posição da cabeça. É a causa mais comum de vertigem em adultos e aparece ainda mais depois dos 50 anos.
Como reconhecer a VPPB
- A sensação é de que tudo gira ao redor, não apenas de cabeça leve.
- A crise dura segundos, raramente passa de um minuto.
- Vem sempre com um movimento: deitar, levantar, virar para um lado, abaixar ou levantar a cabeça.
- Pode vir com enjoo, suor frio e, em crises mais fortes, vômito.
- Fora das crises, a pessoa costuma ficar com um desequilíbrio leve, como se andasse em um barco.
- Não há perda de audição, zumbido novo, dor de cabeça forte, dormência ou dificuldade para falar.
O que mais pode causar tontura ao levantar
Nem toda tontura ao levantar é VPPB. A hipotensão postural, a queda rápida da pressão quando a pessoa fica de pé, dá uma sensação de escurecimento da visão e de desmaio, sem a impressão de giro. Costuma aparecer em quem toma remédio para pressão, está desidratado ou passou muito tempo deitado.
Outras causas de vertigem, como a labirintite e a neurite vestibular, provocam crises longas, de horas ou dias, e não dependem tanto da posição. A doença de Ménière vem com zumbido, pressão no ouvido e perda auditiva flutuante. A enxaqueca vestibular associa tontura e dor de cabeça. Em cada uma, a história contada pelo paciente é a principal pista, e por isso a consulta começa por ela.
Como o otorrino confirma o diagnóstico
O diagnóstico da VPPB é clínico. Depois de ouvir a história, o médico faz os testes posicionais, como a manobra de Dix-Hallpike: o paciente é deitado rapidamente com a cabeça virada para um lado, enquanto o médico observa os olhos. Se os cristais estiverem no canal, aparece um movimento ocular involuntário chamado nistagmo, junto com a tontura. É esse padrão que mostra qual ouvido e qual canal estão afetados.
Exames como a vectoeletronistagmografia e a audiometria entram quando o quadro não é típico, quando a tontura volta muitas vezes ou quando há sintomas de audição junto. Ressonância e tomografia não fazem o diagnóstico da VPPB; servem para afastar outras causas quando existem sinais de alerta.
Tratamento: as manobras de reposicionamento
O tratamento mais eficaz é mecânico. Nas manobras de reposicionamento, como a manobra de Epley, o médico conduz a cabeça do paciente por uma sequência de posições para levar os cristais de volta ao lugar de origem. Cada posição é mantida por cerca de 30 segundos a um minuto. Na maioria dos casos uma ou duas sessões resolvem a crise, e o alívio costuma ser percebido já no mesmo dia.
Remédios para tontura, como os sedativos vestibulares, só aliviam o enjoo das primeiras horas e não tratam a causa. Usados por muito tempo, atrasam a adaptação do cérebro. Quando sobra um desequilíbrio depois das manobras, a reabilitação vestibular, com exercícios orientados, ajuda a recuperar a confiança para andar.
A VPPB pode voltar?
Pode. Cerca de uma em cada três pessoas tem uma nova crise nos anos seguintes. Isso não significa que o tratamento falhou, apenas que novos cristais se soltaram. O caminho é o mesmo: avaliação e manobra. Quem já teve VPPB aprende a reconhecer o padrão e procura ajuda mais cedo.
Quando a tontura é sinal de alerta
Procure atendimento de urgência se a tontura vier com dor de cabeça muito forte e súbita, visão dupla, dificuldade para falar ou engolir, fraqueza ou dormência em um lado do corpo, dificuldade para andar mesmo sentado ou perda súbita da audição. Esses sinais não são de VPPB e precisam de avaliação imediata.
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Manobras de reposicionamento
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Exame realizado no consultório, conforme a avaliação clínica.
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Cada caso precisa de avaliação individual. Na consulta, o Dr. Leonardo examina, ouve a sua história e explica o que faz sentido para você.
