Os sintomas de labirintite mais citados são tontura com sensação de giro, enjoo, desequilíbrio e, em alguns casos, zumbido e ouvido tampado. Mas labirintite é um nome popular que reúne doenças diferentes do ouvido interno, com causas e tratamentos próprios. A verdadeira labirintite, uma inflamação do labirinto, é rara. Saber qual é o problema por trás do nome é o que define o tratamento.
O que as pessoas chamam de labirintite
No Brasil, labirintite virou sinônimo de qualquer tontura. Na prática do consultório, quando alguém diz que tem labirintite, o que costuma existir é uma destas condições:
- VPPB, a vertigem posicional: crises curtas ao deitar, levantar ou virar a cabeça. É a causa mais comum.
- Neurite vestibular: crise única e intensa de vertigem, que dura dias, em geral após uma virose, sem perda de audição.
- Labirintite propriamente dita: inflamação do labirinto, quase sempre ligada a uma infecção do ouvido, com vertigem e perda de audição ao mesmo tempo.
- Doença de Ménière: crises de horas com zumbido, pressão no ouvido e audição que oscila.
- Enxaqueca vestibular: tontura associada a dor de cabeça, sensibilidade à luz e ao som.
Cada uma dessas doenças tem um tratamento diferente. Tratar todas como labirintite, com o mesmo remédio, é o motivo de muita tontura que não melhora.
Qual é o primeiro sinal da labirintite?
O sinal que mais chama atenção é a vertigem: a sensação de que o ambiente gira ou de que o próprio corpo balança. Ela vem acompanhada de enjoo, suor frio, palidez e dificuldade para ficar de pé. Na neurite e na labirintite verdadeira, a crise começa de repente e é forte nas primeiras horas, com melhora gradual ao longo de dias. Na VPPB, o primeiro sinal costuma ser a tontura ao virar na cama de madrugada ou ao levantar.
Outros sintomas que podem aparecer: zumbido, sensação de ouvido tampado, diminuição da audição, movimento involuntário dos olhos e intolerância a movimentos rápidos da cabeça. Quando a audição é afetada, o quadro merece avaliação rápida, porque a perda auditiva súbita tem janela de tratamento.
O que leva uma pessoa a ter labirintite?
As causas dependem da doença de fato. Na VPPB, o deslocamento dos cristais do ouvido interno, mais frequente com a idade, depois de pancadas na cabeça ou de longos períodos deitado. Na neurite vestibular, a inflamação do nervo do equilíbrio, geralmente por vírus. Na labirintite verdadeira, a infecção bacteriana ou viral que chega ao labirinto a partir de uma otite ou de uma meningite. Na doença de Ménière, o acúmulo de líquido no ouvido interno.
Fatores como estresse, privação de sono, jejum prolongado, cafeína em excesso, tabagismo e alterações de glicose e de pressão não causam labirintite por si, mas pioram a tontura de quem já tem um problema vestibular. É por isso que a chamada labirintite emocional não é um diagnóstico: a ansiedade amplifica a tontura, mas quase sempre existe uma causa no ouvido ou no cérebro que precisa ser identificada.
O que pode ser confundido com labirintite?
Pressão baixa, anemia, hipoglicemia, efeito de medicamentos e crises de ansiedade causam tontura sem giro, com sensação de cabeça leve ou de desmaio. Problemas de coluna cervical dão dor e limitação de movimento, mais do que vertigem. E uma parte pequena, porém importante, das tonturas vem do cérebro: AVC do cerebelo e do tronco cerebral, por exemplo, podem começar como uma vertigem. Por isso tontura com dor de cabeça súbita e intensa, visão dupla, fala enrolada ou fraqueza em um lado do corpo é emergência.
Como o otorrino investiga
A consulta começa pela história: como é a tontura, quanto tempo dura, o que desencadeia, o que vem junto. Em seguida, o exame do ouvido, o exame do equilíbrio e dos movimentos dos olhos e, conforme o caso, a audiometria, para saber se a audição foi afetada. A vectoeletronistagmografia registra os movimentos oculares e ajuda a diferenciar as causas quando o quadro se repete.
Labirintite tem cura?
Na maior parte das causas, sim, ou ao menos controle completo dos sintomas. A VPPB se resolve com manobras de reposicionamento. A neurite vestibular melhora sozinha ao longo de semanas e a reabilitação vestibular acelera a recuperação. A labirintite infecciosa é tratada com antibiótico ou antiviral, conforme a origem. A doença de Ménière e a enxaqueca vestibular são crônicas, mas têm tratamento preventivo que reduz muito as crises. O que não funciona é o uso contínuo de remédio para tontura: ele mascara o sintoma e atrasa a adaptação do cérebro.
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Ver exameVectoeletronistagmografia
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Ver exameReabilitação vestibular
Exame realizado no consultório, conforme a avaliação clínica.
Ver exameFontes
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